Birra infantil: 4 comportamentos para reconhecer em seu filho e tratar facilmente


Quase todos nós, pais e mães, lidamos em algum momento com a birra infantil. Sem hora ou lugar para acontecer, a ira dos pequenos manifesta-se nas mais variadas situações. Este tipo de comportamento causa intensa frustração e sensação de impotência, visto que na maioria das vezes não sabemos como reagir diante de uma crise de birra. A situação é mais angustiante nas ocasiões em que ela ocorre na rua e locais públicos. Na escola, por exemplo, a birra infantil é bastante evidenciada em crianças a partir dos 3 anos quando os pequeninos já começam a ser inseridos no contexto social pedagógico.

Birra infantil - Como encontrar o caminho para a paz
Birra infantil – Como encontrar o caminho de volta para a paz com seus filhos.

Sob olhares curiosos e de reprovação, somos emocionalmente martirizados pelo choro compulsivo da criança que têm sua vontade contrariada. Existe algo que possamos fazer para reconhecer, tratar e até mesmo prevenir um ataque de birra?

Neste artigo falaremos sobre 4 comportamentos comuns na infância que os pais precisam aprender a reconhecer e lidar. O primeiro é a própria birra infantil que começa manifestar-se aos 2 anos de idade, mas que ocorre também com muita frequência em crianças com 3 anos, 4 anos e 5 anos. Veremos suas características e dicas úteis para detê-la – enquanto os demais comportamentos consistem em importantes atitudes que farão positiva diferença não apenas no tratamento da birra como principalmente na melhoria da qualidade do relacionamento entre pais e filhos.


1. Birra infantil

A birra infantil clássica parece um torneio para ver quem é mais teimoso, mais gritão, mais mandão ou seja, para ver quem ganha. Não entre nesse jogo, tente não perder o controle. Filhos pequenos às vezes agem com bastante rispidez. Eles são semelhantes a pessoinhas pré-históricas, não entendem a lógica, portanto não adianta conversar na hora da birra. A cena clássica da birra envolve se jogar no chão, berrar, deixar todos ao redor malucos e com ganas de esfolar o anjinho. Tentar arrancar objetos de outras crianças, não querer ir, aos berros, para a escolinha são outros exemplos. Não ameace, não tente conversar coerentemente. Sim, arrependa-se por não ter aprendido o valor da palavra “não” e mantê-la, no momento certo.

Existem algumas saídas:

– Saia de perto e deixe-o continuar gritando e esperneando, embora todos ao redor digam “coitadinho”, “ela é uma desalmada” (quando são pessoas bem educadas). Para o psiquiatra Içami Tiba*, as crianças precisam passar pelo estresse de perder a segurança na hora da birra. “Se ela se sente insegura, muda. A criança fica preocupada se os pais a deixam”.

 Se você não pode sair de perto, por exemplo, se estão em uma casa com visitas:


– não use ameaças (vou chamar o bicho-papão)

– use palavras simples e curtas (chega, pare)

– repita seus gestos, faça caretas, repita o que ele está dizendo, por exemplo:

  • me dáááá o carrinhooooo (ele)
  • me dáááá o carrinhoooo (você, até conseguir atrair sua atenção)

Ele precisa saber que você entendeu: você quer o carrinho? Aí, tendo atraído sua atenção, explique-lhe, de maneira tranquila, mas séria, que o carrinho está com outra pessoa, mas ele pode brincar com outra coisa…

Mantenha a palavra, não faça a vontade dele por desistir.


Quando ele se acalmar, elogie-o.

Importante: Evite situações que atraiam a birra, como fome ou sono. Não saia com ele em horários em que isso possa acontecer.

*Autor de “Disciplina: Limite na Medida Certa” (Integrare)

2- O “Não”

Um dos grandes erros na educação é dizer ‘não’ quando vamos acabar dizendo ‘sim’. Deixe para dizer não quando ele for definitivo, ou provavelmente definitivo naquele momento.

Veja um exemplo:

Local: supermercado

– Mãe, eu quero um chocolate (provavelmente com ele já na mão).

– Não, filhinho (a).

– Ah, eu quero!

– Não, amor.

– Aaaaah. Eu queeeeroooo!

– Tá bom, mas só esse…

Pronto, lá se foi o respeito pras cucuias.

Se você acabar cedendo à pressão, ou seja, seu não vai ficar sim (filhos pedem, pedem, pedem) a criança vai aprender que não precisa respeitar seu não. Basta insistir, fazer birra – de preferência bem escandalosa e na frente de um monte de gente pra fazer você passar vergonha -, ou pedir fazendo charminho (e como eles são sedutores…!) que a mamãe cede (ou o papai ou outra pessoa).

Você não cansa de ouvir mães dizendo ‘ele só respeita o pai’, ou ‘é só fulano dizer que ele obedece’, etc?

Pois é! Por que será?

P.S.: Falo mães, porque (mea culpa), me incluo na tribo, e sempre tive que fazer meu coração sangrar para fazer meu “não” valer .

Não espalhe, mas nem sempre ganhei a briga…

3- Gentileza

Seja gentil com seu filho.

– Por favor, pode fazer tal coisa?

– Obrigada por ter feito isso!

Nossos filhos não são meros instrumentos nossos. São pessoas que vão conviver com outras, que não necessariamente serão gentis, mas que provavelmente responderão bem à gentileza

Quantas vezes você teve algo recusado de uma maneira tão educada e gentil que quase não sentiu a frustração pela recusa, e quantas outras em que teve vontade de matar alguém pela estupidez com que foi tratado?

Exemplo:

Num restaurante:

– Sinto muito, mas no momento não há mesas vazias, mas posso oferecer tal coisa…

Ou então:

– A casa está cheia. Volte outra hora.

Percebe a diferença?

Outro exemplo em que se pode observar a gentileza gerar reciprocidade é ao alguém segurar a porta do Shopping para nós. Sentimos-nos compelidos a segurar para a pessoa que vem atrás de nós. Experimente.

A gentileza gera gentileza e rende frutos por toda a vida. Se seu filho aprender isso dentro de casa, sairá com uma imensa vantagem neste mundo cada vez mais competitivo.

4- Elogiar

A melhor forma de modificar um comportamento, incluindo a birra infantil, é o elogio.

Funciona com qualquer pessoa (em diferentes velocidades), mas com os filhos funciona ainda melhor porque eles querem agradar os pais.

Agradar os pais representa receber amor (normalmente).

Um exemplo corriqueiro: não quer arrumar seus brinquedos. Observe-o discretamente, e, quando colocar um brinquedo na caixa, por qualquer motivo, solte um:

– Puxa que legal, você é dez (ou use o adjetivo de sua preferência), por guardar isso.

Não deixe passar um momento em que ele está fazendo algo ‘legal’ (que normalmente não faria, mas que é importante pra você) em brancas nuvens.

Elogie!

Estou usando exemplos singelos, mas vale para tudo e todos. Se fosse um comportamento errado, dificilmente deixaríamos de criticar. Então, porque não seguir o comportamento inverso?

Todos gostamos de ser elogiados

Mas lembre-se: Seus elogios precisam ser sinceros!

E você, gostaria de compartilhar suas experiências pessoais e como têm tratado com a questão da birra infantil em seu filho(a)? Como têm sido a sua jornada?


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